Técnica garante mais precisão no tratamento de tumores

Radiocare Centro avançado de Radioterapia

O câncer é a segunda maior causa de morte no país. Um dos estágios mais graves da doença é quando o quadro apresenta metástases à distância, que consiste no momento em que o câncer se espalha pelo organismo. Há alguns anos, acreditava que chegado esse nível, a doença seria irreversível. Na prática, trata-se realmente de um grande desafio, mas, hoje, é possível conseguir o desaparecimento dos tumores mesmo nessa etapa. Nesses casos, o controle local, em longo prazo, é extremamente importante, pois permite que o paciente viva sem nenhum sintoma.

Entra em cena um tratamento de ponta, a radiocirurgia estereotáxica, que consiste em uma técnica precisa de radioterapia que trata, em uma única sessão, tumores e outras lesões com alta dose de radiação. Na última década, tanto seu uso, quanto a eficácia nos resultados aumentou significativamente devido às melhorias dos exames de imagem, ao desenvolvimento de softwares especializados e aos equipamentos de tratamento.

O uso amplo da técnica iniciou-se em 1967, com a instalação na Suécia de um equipamento que utilizava mais de 200 fontes de cobalto radioativo. Com o passar dos anos, outros aparatos foram aperfeiçoados e desenvolvidos. Hoje, o tratamento pode ser realizado por meio de modernos aceleradores lineares de partículas que são equipados com lâminas milimétricas que se movimentam durante a aplicação, protegendo os órgãos sadios e liberando a dose precisamente no alvo do tratamento.

Para conseguir a localização exata que deve receber a radiação, utiliza-se um conjunto de coordenadas semelhante às fornecidas por um GPS. A precisão da aplicação é garantida também pela imobilização rígida do paciente feita através de halos com parafusos, máscaras especiais e/ou até mesmo com moldes personalizados da arcada dentária.

A utilização da radiocirurgia nas metástases cerebrais foi uma revolução na forma de abordar a doença. Enquanto o controle do câncer metastático com a radioterapia ou cirurgia convencional é desapontador, no novo procedimento melhora drasticamente os resultados. A única ressalva é um aumento relativamente pequeno quantos aos riscos que o tratamento implica.

Outra situação em que tem sido aplicada a radiocirurgia é quando são diagnosticados tumores primários cerebrais, os chamados gliomas, que têm tendência a retornarem mesmo após cirurgia e radioterapia pós-operatória. Quando isso ocorre, geralmente, a única alternativa é manter a quimioterapia sistêmica com resultados sabidamente frustrantes.

Já estão sendo realizados estudos para identificar em quais situações a técnica é mais efetiva na abordagem dos gliomas. Assim como nessa patologia, ela já se provou eficaz também em casos de tumores benignos, tais como meningiomas, neurinomas e em diversas outras doenças. Resultados comprovados também foram demonstrados no combate às más formações arteriovenosas cerebrais (MAVs), assim como nas neuralgias e em outras patologias benignas.

 

Vantagens

 

O crescimento desta modalidade de tratamento não se deu por acaso e sim, pelas diversas vantagens em comparação aos procedimentos tradicionais. Os grandes riscos de uma cirurgia convencional são imensamente reduzidos e o temor com as conseqüências em longo prazo da radioterapia é eliminado. Todo esse movimento contribuiu para a maior disponibilidade da técnica e treinamento para os médicos envolvidos no tratamento desses pacientes.

As vantagens do procedimento devem-se muito às maiores doses empregadas e no volume restrito envolvido na região de altas doses. Como se pode imaginar, é extremamente importante que exista um controle de qualidade rigoroso de todas as etapas do processo. Assim como é desejável que o tratamento seja feito em centros de excelência que já realizem um número razoável de procedimentos anuais e, logo, saibam manejar a ocorrência dos efeitos indesejáveis caso ocorram.

Geralmente, o paciente recebe alta no mesmo dia e vai para casa utilizando apenas medicações orais ou, dependendo do quadro, nem é necessária medicação. O edema, que corresponde ao inchaço dos tecidos decorrentes da radiação e da própria doença, pode exigir a utilização de medicações como corticosteróides para evitar a compressão das estruturas vizinhas. Também pode ocorrer necrose sintomática e, em algumas situações, a cirurgia tradicional é inevitável para resolução dos sintomas. Nas reirradiações a necrose é mais frequente e pode optar-se pelo fracionamento.

A aplicação de um número maior de frações chamada radioterapia estereotáxica fracionada implica nos mesmos princípios da radiocirurgia, porém é aplicada em um número maior de aplicações usualmente de 3 a 6 sessões.

 

Avaliação médica

 

O apelo da radiocirurgia pode motivar muitos pacientes a desejarem realizá-la, contudo, o atendimento multidisciplinar é condição indispensável para atingir melhores resultados e alcançar ganhos para os pacientes, por isso, são essenciais avaliação e participação de neurocirurgião, radio-oncologista e oncologista clínico para indicação, planejamento e condução de todos os casos.

 

 Artigo publicado por Leonardo Pimentel, Radio-oncologista e Coordenador do Radiocare

 

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