Como a radioterapia estereotáxica tem ajudado a combater o câncer

Radiocare Centro avançado de Radioterapia

A radioterapia estereotáxica, também conhecida como Radiocirurgia, SBRT ou SABR (StereotacticBodyRadiotherapy ou StereotacticAblativeradiotherapy) é uma técnica de radioterapia externa que alia a precisão da localização dos aparelhos modernos com altas doses de radioterapia, necessárias para atingir alguns tipos de tumores.

Na SBRT é utilizado um sistema de coordenadas tridimensional para localizar volumes-alvo no interior do corpo e, assim, direcionar feixes de radiação focados precisamente no tumor.

Para a execução dessa técnica, são necessárias: imagens detalhadas de tomografia computadorizada e de ressonância magnética; planejamento computadorizado tridimensional, e posicionamento de tratamento adequado para administrar a dose de radiação com precisão extrema, minimizando a ação sobre tecidos sadios.

Existem dois tipos de radiação estereotáxica:

  1. Radiocirurgia estereotáxica: refere-se a uma única aplicação de radioterapia estereotáxica realizada com vários feixes de radiação, convergindo-se sobre um alvo preciso, geralmente uma lesão localizada no cérebro ou coluna vertebral. Apesar da denominação, não é realizada cirurgia ou incisão com bisturi.
  2. Radioterapia Estereotáxica: refere-se a mais de uma aplicação de radioterapia estereotáxica sobre um alvo preciso. Geralmente, são realizadas de 3 a 8 frações com doses de radioterapia mais elevadas que o usual.

Essas duas modalidades de radioterapia são mais adequadas para tumores relativamente pequenos. Os médicos usam exames de imagens para localizar exatamente a lesão a ser tratada. Um suporte ou aparato imobilizador pode ser personalizado para manter o corpo completamente imóvel durante o tratamento. No caso da radiocirurgia ou radioterapia estereotáxica cerebral, utiliza-se um halo de metal preso sobre a cabeça ou uma máscara termoplástica especial para imobilizar e localizar precisamente o alvo.

Quando o halo de metal é usado, o mesmo é fixado ao crânio por um neurocirurgião. Esse especialista injeta um anestésico local logo abaixo do couro cabeludo, para anestesiar a área, e insere pinos especiais superficialmente aos ossos cranianos. Esses parafusos irão fixar o halo ao crânio. Os pinos fixadores do crânio e o halo são removidos após o término do tratamento. Cada radiocirurgia, dura, em média, de 20 a 50 minutos.

Quando o halo não é utilizado, usa-se uma máscara facial especial, que, ao ser derretida, é colocada ao redor da cabeça e molda exatamente os contornos da mesma, mantendo-a fixa e em posição de tratamento.

Uma das vantagens da radioterapia estereotáxica é a capacidade de entregar a quantidade adequada de radiação sobre o tumor em um curto período de tempo (geralmente um a oito dias, ao contrário de várias semanas). Além disso, o tratamento é entregue com extrema precisão, minimizando os efeitos colaterais sobre tecidos sadios adjacentes ao tumor. Ao final do procedimento, na grande maioria das vezes, não há necessidade do paciente ficar internado e o mesmo retorna para casa com a mesma condição clínica que adentrou ao departamento de radioterapia antes de ser tratado.

Essa técnica é adequada para pequenos tumores bem definidos, que podem ser visualizados através de exames de imagem. Portanto, essa abordagem não é adequada para todas as situações. Além disso, a dosagem de radiação fornecida com segurança pode ser limitada se a lesão está localizada próxima a uma estrutura ou órgão sensível, tal como a medula espinhal, tronco cerebral ou intestino. Geralmente, o tratamento gera edema (inchaço) de tecidos sadios próximos ao tumor, podendo gerar efeitos colaterais variados, que dependem da localização do mesmo. Pacientes com tumores cerebrais, por exemplo, podem apresentar piora parcial dos sintomas neurológicos durante alguns dias após o procedimento, que tendem a melhorar espontaneamente ou com tratamento adequado.

CONDIÇÕES QUE PODEM SER TRATADAS COM RADIAÇÃO ESTEREOTÁXICA

A radiocirurgiaestereotáxica é utilizada para tratar condições que envolvem o cérebro ou coluna vertebral, incluindo:

  • Tumores que se iniciam no cérebro (gliomas e outros tumores primários do sistema nervoso central)
  • Tumores que se disseminaram para o cérebro (metástases cerebrais)
  • Tumores que se disseminaram para a coluna vertebral (metástases ósseas)
  • Tumores benignos decorrentes das membranas que recobrem o cérebro (meningiomas)
  • Tumores benignos do ouvido interno (neurinoma do acústico)
  • Vasos sanguíneos anormais no cérebro (malformações arteriovenosas).

Radioterapia Estereotáxica Corporal é usada para tratar pequenos tumores no tórax, abdômen ou pelve, que não podem ser removidos cirurgicamente ou tratados com radioterapia convencional, incluindo:

  • Câncer de pulmão em estádios iniciais
  • Cânceres que se iniciaram em outro órgão e migraram para o pulmão (metástases pulmonares)
  • Cânceres que se iniciaram em outro órgão e migraram para o fígado (metástases hepáticas)

Esses exemplos abrangem as condições mais comumente tratadas, mas não correspondem a todas as possibilidades de tratamento com essa técnica. Os pacientes com tumores pequenos e pouco numerosos são os melhores candidatos à radioterapia estereotáxica. Nem todos os pacientes podem se beneficiar desse tipo de tratamento. Somente o radio-oncologista pode dizer se essa abordagem é uma opção para sua condição específica.

Artigo escrito por Leonardo Antônio G. Chamon, radio-oncologista da Radiocare

“A opinião contida nesse Blog não necessariamente representa a opinião da Radiocare, não a vincula, e é de responsabilidade pessoal e exclusiva de quem a escreveu.”

Efeitos colaterais da radioterapia

Radiocare Centro avançado de Radioterapia

A radioterapia é um método de tratamento local, que pode ser indicado de forma exclusiva ou associado a outros processos, como cirurgia e/ou quimioterapia. O tratamento radioterápico consiste no direcionamento de radiação ao tumor ou volume a ser tratado, a fim de eliminar as células cancerígenas e, assim, controlar ou curar o câncer.

As técnicas modernas de radioterapia permitem que a radiação seja mais bem direcionada ao tumor, poupando órgãos sadios e minimizando danos às células normais. Mesmo com todo esse cuidado, tecidos saudáveis adjacentes são atingidos pela radiação e podem sofrer alterações, gerando efeitos colaterais.

Ao contrário do senso comum, os efeitos colaterais podem aparecer durante, ou mesmo após o término do tratamento. Como são cumulativos, espera-se o início dos efeitos mais intensos ao redor de duas a três semanas de tratamento. Por consistir num tratamento local, na maioria das vezes, os efeitos colaterais ficarão restritos à região irradiada.

Cada indivíduo reage de forma específica à radioterapia. Alguns apresentam mais efeitos que outros, sendo que a intensidade desses efeitos depende da dose do tratamento; da parte do corpo tratada; da extensão da área irradiada; do tipo de irradiação e da técnica radioterápica utilizada.

Alguns efeitos colaterais são comuns a todos os tratamentos com radioterapia:

  • Irritação da pele irradiada semelhante a uma reação ao sol, com vermelhidão, escurecimento ou bronzeado, coceira e, eventualmente, descamação.
  • Leve inchaço e sensibilidade aumentada na região tratada;
  • Fadiga (cansaço ou fraqueza). Nem todos os pacientes se sentem cansados durante o tratamento e alguns continuam trabalhando normalmente;
  • Redução do apetite;
  • Perda de pelos nos locais tratados.

Geralmente, esses efeitos agudos melhoram gradativamente após o término do tratamento. Além deles, outros podem surgir, dependendo da região a ser tratada.

São eles:

Região da Cabeça e pescoço: irritação das mucosas, gerando ardor e aftas na boca e garganta; diminuição da quantidade de saliva, com sensação de boca seca; aumento do risco de cáries; dor e dificuldade para engolir; alteração do paladar; rouquidão. Esses são efeitos agudos ou imediatos. Eles tendem a melhorar com tempo. Após meses ou anos podem surgir efeitos tardios ou persistirem alguns efeitos agudos, como a secura na boca, aumento no risco de cáries, fibrose ou endurecimento da região do pescoço.

Região Torácica: tosse; dor e dificuldade para engolir;

Região Abdominal: dor abdominal (cólicas); aumento de gases intestinais; náuseas ou vômitos; alterações do hábito intestinal, como diarreia;

Região Pélvica: ardor ao urinar e/ou evacuar; aumento do número de vezes que necessita urinar; cólicas intestinais; diarréia; sangramento nas fezes ou urina; ardor em região da vulva ou ânus; impotência sexual; infertilidade; sintomas da menopausa em mulheres.

Região da Mama: dor em pontada; aumento da temperatura e inchaço da mama; vermelhidão e escurecimento da pele; descamação e ardor da pele e do mamilo. Após meses ou anos pode surgir fibrose com endurecimento e redução da elasticidade da mama e perda da capacidade de lactação da mama irradiada.

Região de membros: vermelhidão e escurecimento da pele tratada principalmente em áreas de dobras, com eventual descamação e ardor; inchaço da região. Em logo prazo (meses ou anos), pode ocorrer fibrose de musculatura e pele, com eventual redução da mobilidade do membro.

É importante ressaltar que nem todos os efeitos colaterais irão se desenvolver durante o tratamento. Cada pessoa reage de forma específica à radioterapia. Existem os que apresentam efeitos colaterais acentuados e outros que atravessam todo o tratamento com mínimos efeitos e excelente tolerância. Grande parte das pessoas continua levando uma vida normal durante o processo e muitas trabalham normalmente.

E é importante lembrar que   o   médico   radio-oncologista   estará   sempre   disponível   para orientá-lo e somente ele poderá recomendar, com segurança, a melhor abordagem para cada caso. Ele acompanha cada paciente por meio de consultas regulares, realizando orientações e prescrevendo medicamentos sintomáticos, caso seja necessário.  Mas, existem alguns cuidados que todo paciente pode tomar em relação a determinados efeitos colaterais.

Cuidados:

Pele

USE:

  • Roupa de algodão na área tratada;
  • Lave a região com água morna;
  • Utilize Sabonete neutro;
  • Use desodorante sem alumínio e sem perfume;
  • Cremes hidratantes (caso seja necessário, o seu médico irá prescrever algum creme para uso local);
  • Proteja a área irradiada contra o sol para evitar piora da irritação cutânea.

NÃO USE:

  • Roupas apertadas;
  • Compressa fria ou quente;
  • Evite se barbear ou usar cremes de depilação na área afetada;
  • Perfumes ou loções na pele irradiada.

 

Fadiga:

  • Descanse nas horas livres;
  • Diminua as atividades ao se sentir fadigado. A fadiga desaparecerá com o tempo e costuma melhorar cerca de 30 dias após o término da radioterapia. Não existe nenhuma medicação que melhore o cansaço.

Perda de apetite e dificuldade para ingerir alimentos:

  • Diminua a quantidade de comida;
  • Aumente o número de refeições (comer pouco de 2 em 2 horas);
  • Mastigue bastante antes de deglutir;
  • Procure ingerir alimentos leves e variar a comida para melhorar o apetite;
  • Evite alimentos quentes ou picantes e bebidas ácidas durante o tratamento.

Náuseas, cólicas abdominais e diarreia: existem medicamentos sintomáticos a serem prescritos pelo seu médico, que irão aliviar esses sintomas. Após o término do tratamento, esses efeitos indesejados devem desaparecer dentro de algumas semanas.

Desejos de superação são comuns na difícil luta contra o câncer. Mesmo com o avanço da Medicina diagnóstica e das técnicas de radioterapia, ainda existem complicações graves e até mesmo, potencialmente fatais, decorrentes dos tratamentos. O certo a se fazer é ter uma relação próxima com sua equipe assistente e relatar todos os efeitos colaterais que aparecerem após o início do tratamento. Somente a equipe médica e, em especial, o radio-oncologista, possuem o conhecimento necessário para decidir o melhor a ser feito diante de cada situação.

Artigo escrito por Leonardo Antônio G. Chamon, radio-oncologista da Radiocare

“A opinião contida nesse Blog não necessariamente representa a opinião da Radiocare, não a vincula, e é de responsabilidade pessoal e exclusiva de quem a escreveu.”

Primeiros passos antes de você iniciar a radioterapia

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Antes de iniciar o tratamento você passará por uma consulta com o médico especialista, chamado de radio-oncologista ou radioterapeuta. Neste primeiro momento, é preciso que você apresente ao médico todos os exames que já foram realizados antes, para que ele analise o caso e defina o tipo de radioterapia indicada e a dose de radiação a ser utilizada.

Durante a consulta o médico irá orientá-lo sobre os objetivos e os possíveis efeitos colaterais. Além disso, solicitará uma tomografia computadorizada específica, na posição do tratamento. Pelo fato desse exame não ter como finalidade o diagnóstico e sim auxiliar no processo de aplicação, mesmo que você já tenha realizado alguma tomografia recente, é preciso fazer outra, seguindo as novas orientações.

O planejamento computadorizado é embasado nas imagens tomográficas. Assim, três planos dimensionais (chamada Radioterapia 3D) podem ser criados para ajustar melhor as áreas a serem tratadas, direcionando uma maior dose de radiação ao tumor e minimizando a dose em tecidos sadios. Uma vez atingido o planejamento ideal, o médico radio-oncologista avalia, através de gráficos e estatísticas, as doses que estão chegando em cada parte dos órgãos e dos volumes definidos como alvos.

Formas mais sofisticadas de radioterapia 3D, como a Radioterapia por Intensidade Modulada (IMRT) e também a Radioterapia Guiada por Imagem (IGRT), têm sido utilizadas. Essas tecnologias modernas de tratamento permitem que se direcione, com mais precisão, a radiação sobre o volume alvo, além de reduzir as doses nos órgãos normais, permitindo minimizar o risco de efeitos colaterais e seqüelas do tratamento.

Efeitos adversos da radioterapia

Normalmente, os efeitos das radiações são bem tolerados, principalmente quando é realizada uma radioterapia moderna. Os efeitos colaterais podem ser classificados em agudos e tardios de acordo com o aparecimento ainda durante as aplicações, logo após o término ou, muito tempo depois.

Efeitos agudos ou imediatos – Geralmente aparecem na segunda semana de tratamento e vão se reduzindo aos poucos algumas semanas após o término da terapia. Eles ocorrem, em sua maioria, nos tecidos que estiverem incluídos no campo de irradiação e devem ser tratados sintomaticamente, pois geralmente são bem tolerados e reversíveis. Um exemplo comum é irritação da pele e da mucosa.

Efeitos tardios: são menos frequentes e podem se manifestar por sangramentos, ulcerações, atrofias, fibroses ou persistência de alguns efeitos agudos. Normalmente, os efeitos se relacionam com a dose total absorvida e com o fracionamento utilizado. A cirurgia e a quimioterapia podem contribuir para o agravamento destes efeitos.

É importante que você discuta com seu médico radio-oncologista o benefício do seu tratamento e os riscos inerentes a ele. Também é fundamental que conheça as técnicas modernas de tratamento que estão disponíveis e, eventualmente não cobertas pelos planos de saúde no Brasil. Somente o médico radio-oncologista possui as melhores e mais atualizadas informações sobre qual a melhor técnica para cada caso específico.

Artigo escrito por Leonardo Chamon, Radio-oncologista do Radiocare

“A opinião contida nesse Blog não necessariamente representa a opinião da Radiocare, não a vincula, e é de responsabilidade pessoal e exclusiva de quem a escreveu.”

Como funciona a Radioterapia

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A radioterapia consiste na utilização de radiação ionizante (principalmente raios-X) para tratar o câncer e outras doenças. A radiação é capaz de impedir a multiplicação ou matar células tumorais e, dessa forma, pode ser usado para curar o câncer, impossibilitar que cresça ou, ainda, para aliviar sintomas como a dor.

O tratamento para eliminar as células tumorais consiste na radiação focada, porém os tecidos saudáveis adjacentes também são atingidos pela radiação e podem sofrer danos. No entanto, as células saudáveis são mais capazes de reparar a lesão gerada pela radiação, em comparação às células cancerígenas. Além disso, técnicas modernas de radioterapia muitas vezes permitem que a radiação seja mais bem direcionada ao tumor, poupando órgãos sadios, minimizando o dano às células normais adjacentes e reduzindo os efeitos colaterais. Assim, a radioterapia moderna é um tratamento que, em grande parte das vezes, gera resultados positivos, com efeitos colaterais toleráveis.

A radiação de feixe externo é gerada a partir de uma máquina, chamada Acelerador Linear. A radioterapia externa é administrada diariamente, durante várias semanas. Isso permite matar as células cancerígenas, enquanto dá tempo para que as células saudáveis se recuperarem. Com o fracionamento da dose de radioterapia, a tolerância dos tecidos normais é respeitada, minimizando os efeitos colaterais. Cada sessão dura de 5 a 10 minutos. A radiação não é visível e, durante a aplicação, o paciente não sente nada.

Em alguns casos, a radioterapia será combinada à cirurgia, podendo ser utilizada antes (pré-operatória) ou após (pós-operatória) a mesma. O objetivo da radioterapia pré-operatória é o de promover uma regressão tumoral, possibilitando uma cirurgia mais eficaz ou minimizar o risco do retorno do tumor após sua retirada. Pode ser indicada também antes, durante ou após a quimioterapia, que é o uso de medicamentos específicos contra o câncer. Isso vai depender do tipo de tumor e da escolha do tratamento ideal para superar a doença.

 

Artigo escrito por Leonardo Chamon, Radio-oncologista do Radiocare

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Cuidados durante a radioterapia em tumores de cabeça e pescoço

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A radioterapia para tumores de cabeça e pescoço é um tratamento usado com frequência, uma vez que apresenta ótimos resultados: controla o tumor e impede novas recaídas. Contudo, todo procedimento implica em riscos e efeitos colaterais, por isso, demanda cuidados específicos.

Dentre os efeitos causados por esse tipo da doença estão as alterações na boca, como secura, pequenos machucados e perda do paladar. Sintomas comuns, mas que podem ser amenizados com algumas atitudes. O aconselhável é beber água com frequência  ou bebidas sem açúcar, assim como evitar ingerir café, refrigerantes e chás. Para estimular o fluxo da saliva é indicado o uso de chicletes e balas, também sem adição de açúcar. Sempre que possível, escolha alimentos líquidos e pastosos em temperatura ambiente ou gelada.

É extremamente contraindicado fumar ou ingerir bebidas alcoólicas, pois essas substâncias podem agravar o problema, além de diminuir a eficácia do tratamento e aumentar as chances do tumor voltar. Manter a boca sempre limpa também é importante, já que os pequenos machucados citados anteriormente funcionam como porta de entrada para microrganismos (como bactérias).  Além disso, o risco de desenvolver cárie aumenta, principalmente pela alteração da qualidade e do fluxo da saliva. Sendo assim, é indicada a escovação cuidadosa dos dentes e língua após as refeições, utilizando escova de cerdas macias e creme dental com flúor, além do acompanhamento de um profissional treinado (Estomatologista).

Outro aspecto importante é o estado nutricional. Devido aos sintomas relatados anteriormente, a possível associação com a quimioterapia (que pode causar náuseas e perda do apetite) e possíveis alterações anatômicas causadas pela cirurgia, muitos pacientes acabam apresentando perda de peso significativa antes e durante o tratamento. Isso leva a um estado nutricional deficitário, no qual a defesa do organismo (que nos ajuda a combater o tumor) e a capacidade de se recuperar dos machucados causados pela radiação, se tornam menores.

É fundamental seguir as orientações do médico e da equipe de nutrição, sabendo que, em alguns casos, vias alternativas de alimentação serão necessárias, como o uso da sonda naso-entérica ou mesmo da gastrostomia (necessidade de realização de uma pequena cirurgia), para que o paciente se alimente adequadamente e o tratamento não precise ser interrompido.

Também é comum que, durante a radioterapia, ocorram alterações na pele da região tratada, tornando-a vermelha, irritada, ou bronzeada, seca e escamosa. Geralmente, essas reações desaparecem após o término do tratamento. É indicado o uso de cremes hidratantes de acordo com a prescrição do seu médico, lembrando que, durante a sessão de radioterapia, a pele deve estar limpa e sem nenhuma camada de creme sobre a mesma. Para limpeza da pele é indicado sabonetes neutros; evitar  qualquer produto que contenha álcool e lembrar-se de secar a região tratada cuidadosamente com leves toques de toalha.

A exposição da pele ao sol ou qualquer outra forma de calor é fortemente contraindicada, pois poderá aumentar os efeitos nocivos da radiação. Evite também qualquer forma de atrito com a pele, como uso de lâminas de barbear, esparadrapos ou adesivos na região de tratamento.

Lembre-se que, durante o tratamento, todos os sintomas devem ser informados à equipe de Radioterapia, para que as medidas apropriadas possam ser tomadas em tempo hábil, e sempre siga as orientações para que o resultado final saia como o planejado!

 Referências:

Artigo escrito por Thiago Jardim Arruda, Radio-oncologista da Radiocare

“A opinião contida nesse Blog não necessariamente representa a opinião da Radiocare, não a vincula, e é de responsabilidade pessoal e exclusiva de quem a escreveu.”