Braquiterapia de alta taxa de dose no câncer de próstata

Radiocare Centro avançado de Radioterapia

Braquiterapia tem sua origem no termo grego “brakhus”, que significa perto. Ela tem sido utilizada no tratamento médico desde a descoberta da radioatividade. E, a segurança na aplicação e a tecnologia de entrega de dose têm aumentado suas indicações.

A braquiterapia de alta taxa dose no câncer da próstata é uma técnica de radioterapia na qual são inseridas fontes radioativas na próstata e ao seu redor, com intuito de matar ou esterilizar as células cancerosas. Possui uma taxa de sucesso de até 90%, dependendo do caso, e sua indicação varia conforme as características da doença, as comorbidades (condição da pessoa portadora de uma doença que passa a possuir outra(s) doenças); do paciente, e os fatores de risco associados.

Pode ser utilizada como tratamento único ou em associação à radioterapia externa. Existem diversos tipos de esquemas de tratamento, que variam desde uma a duas aplicações por dia, em dose única ou até um número maior de aplicações.

Na braquiterapia de alta taxa, o médico radio-oncologista insere os aplicadores ou cateteres na próstata do paciente. Depois de posicionados os aplicadores, são carregadas as fontes radioativas através de um robô, que controla precisamente o tempo da fonte em cada posição dentro da próstata. O procedimento é feito com anestesia (em geral raquianestesia ou peridural) e o paciente não sente dor durante o posicionamento dos cateteres ou a aplicação do tratamento.

Após o término do mesmo, os cateteres são retirados do paciente, e após o procedimento, não há mais radiação.  As fontes radioativas tipicamente utilizadas são as de Irídio (Ir 192) e o tempo de tratamento é, em geral, bem mais curto que a radioterapia externa. Dependendo da dose a ser administrada, a aplicação pode durar apenas alguns minutos.

A maioria dos pacientes não precisa ficar internada no hospital, voltando para casa logo após a recuperação anestésica. Se for indicada mais de uma aplicação, o paciente será admitido no hospital, estando sempre devidamente medicado para possíveis desconfortos.

Em estudos recentes, a braquiterapia com alta taxa de dose para tumores de próstata mostrou-se bem tolerável pelos pacientes, com redução significativa de queixas urinárias, intestinais e, também em relação à função sexual se comparada a cirurgia e ao histórico da técnica.

Outro estudo, o ASCEND-RT, publicado neste ano de 2017, comparou a qualidade de vida em pacientes com câncer de próstata que receberam as duas técnicas de radioterapia: Radioterapia externa e, neste caso, a braquiterapia com baixa taxa de dose. Os pacientes dos dois grupos responderam a questionários sobre qualidade de vida após o tratamento. Foram avaliados aspectos como dor, bem-estar geral, vida social, saúde emocional e física, sintomas intestinais e urinários e função sexual. Esses pacientes foram acompanhados, em média  até 6 anos após o tratamento. Houve melhora significativa da eficácia quando comparada a Radioterapia isolada com um excelente perfil de toxicidade.

Portanto, além de ter uma elevada taxa de cura, a braquiterapia proporciona uma melhor qualidade de vida geral. Os riscos de incontinência urinária e disfunção erétil, por exemplo, que são relativamente comuns após a cirurgia, são menores após o tratamento com braquiterapia. O risco de sequelas graves é baixo e, em geral, reversível.

Por fim, a braquiterapia mostrou ser uma alternativa segura para pacientes com tumores de próstata iniciais e pouco agressivos, quando a doença se encontra apenas na glândula, e deve ser oferecida como opção ao paciente, caso ele seja elegível para a técnica. Nos pacientes de doença de risco intermediário e alto, a braquiterapia tem se mostrado uma forte aliada no aumento das chances de cura do câncer de próstata e uma aliada importante do arsenal terapêutico.

Artigo escrito por Bruna Bonaccorsi, Radio-oncologista

“A opinião contida nesse Blog não necessariamente representa a opinião da Radiocare, não a vincula, e é de responsabilidade pessoal e exclusiva de quem a escreveu.”

Radioterapia em Cicatriz Queloide

Radiocare Centro avançado de Radioterapia

O que é o queloide ?

Queloide é uma desordem da cicatrização, na qual a proliferação de fibroblastos e a síntese de colágeno estão aumentadas e formam lesões fibroelásticas, salientes, rosadas, avermelhadas ou escuras e às vezes brilhantes, podendo causar dor, prurido (coceira) e desconforto estético.

A cicatriz queloide pode ocorrer em qualquer lesão da pele, como em queimaduras, furos de piercing, brincos, cortes, cicatriz de cirurgias, marcas de catapora e outros. Apesar de acometerem qualquer pessoa são mais comuns nas de pele negras e asiáticas e parece existir um componente genético e hereditário na propensão ao desenvolvimento do queloide.

Existe Tratamento para queloide ?

Existem diversos tratamentos para o queloide como a remoção cirúrgica, radioterapia, crioterapia, gel de silicone, injeção intralesional de agentes diversos ou injeção de corticoides e laserterapia.

A radioterapia é um tratamento com excelente resposta e chega a evitar o aparecimento de novo queloide ou minimizá-lo em aproximadamente 90% dos casos.

Como é feito a radioterapia ?

Primeiramente deve ser realizada a cirurgia. A maioria dos trabalhos recomenda o início da Radioterapia nos primeiros dias após a cirurgia. A eficácia parece diminuir quando o início do tratamento ocorre mais de 2 dias após a exérese cirúrgica.

Existem várias formas de realizar a radioterapia. Usualmente emprega-se terapias superficiais ou seja a dose da radiação tem pouca penetração no tecido, não atingindo órgãos profundos. As formas mais comuns são a Betaterapia, a ortovoltagem, radioterapia com elétrons e braquiterapia.

Para realizar a braquiterapia um medico em conjunto com o fisico fará o planejamento do tratamento em um sistema computadorizado e posteriormente é colocado um cateter em cima da cicatriz, que será conectado a um robô que contem o material radioativo (Ir -192), esse material, sob o comando dos computadores se desloca para o dentro do cateter e ficará irradiando a cicatriz por alguns minutos (1 a 30 minutos), variando com a atividade da fonte e o tamanho da cicatriz.

Existe efeitos colaterais ?

Usualmente os efeitos colaterais são menores, entretanto podem ocorrer efeitos imprevistos. O grau de satisfação das pacientes geralmente é bom, mas a expectativa individual tem grande peso no resultado.

Os efeitos mais comuns são :

  • Hipercromia (cicatriz ficar mais escura que a pele normal ).
  • Hipocromia (cicatriz ficar mais clara que a pele normal).
  • Deiscência da sutura ( Os pontos da cicatriz podem abrir ).
  • Infecções na cicatriz

Uma preocupação freqüente em toda irradiação de patologia benigna é a possibilidade remota de indução de tumores malignos (câncer) a longo prazo. É sabido que radiação ionizante é um dos principais entes causadores de câncer conhecidos. O risco absoluto é baixo mas o aumento do risco relativo deve ser discutido com o médico e pesado na decisão de realizar a Radioterapia ou não. A decisão é sempre do paciente.

Para o sucesso do tratamento é sugerido que os pacientes discutam amplamente com o cirurgião plástico sobre as possibilidades terapêuticas, caso uma das opções seja a radioterapia, agende uma consulta com antecedência com o médico radioterapeuta, para discutir a indicação e programar o tratamento o mais breve possível após a cirurgia.

 Artigo escrito por Mauro Murta de Andrade Filho, médico da Radiocare.

“A opinião contida nesse Blog não necessariamente representa a opinião da Radiocare, não a vincula, e é de responsabilidade pessoal e exclusiva de quem a escreveu.”

O cuidado centrado na pessoa

Radiocare Centro avançado de Radioterapia

O processo de decisão do tratamento, durante muitos anos, foi centrado exclusivamente na decisão do médico. Reconhecido por seu notório saber, competia a ele prescrever o melhor tratamento e, ao paciente, seguir sua orientação sem contestação.

A importância da participação ativa do paciente nos processos de discussão e decisão quanto a seu tratamento só muito recentemente foi reconhecido como parte essencial dos cuidados médicos. O conceito atual, que tem norteado a prática médica, se baseia na filosofia conhecida como medicina baseada em evidência. Ela se apoia em três princípios: o médico deve basear suas decisões em orientações que apresentem a melhor evidência externa disponível, ou seja, estudos bem elaborados e publicados em revistas médicas de reconhecida excelência; deve usar sua experiência acumulada e seu senso crítico em benefício do paciente, e, finalmente, ouvi-lo respeitosamente. Nenhum ato médico pode ser realizado sem que a pessoa seja adequadamente informada de efeitos colaterais e benefícios. O tratamento deve ser realizado, portanto, apenas se houver expresso consentimento do paciente.

Mais recentemente, a Health Foundation, entidade filantrópica independente do Reino Unido recomendou que se ampliassem os limites do modelo tradicional biomédico, centrado na doença, para a prática do tratamento centrada na pessoa. Sugere que se avalie de forma mais global o significado da doença para o paciente, considerando três direitos fundamentais: o de ser tratado com dignidade; respeito e compaixão e buscando os valores que são importantes para a pessoa que receberá o tratamento.

Todos nós somos diferentes e reconhecemos o adoecer de maneira muito particular. Temos temores, fundados ou fantasiosos, e somos capazes de enfrentar a realidade de forma muito própria. O tratamento deve ser adaptado às necessidades e aspirações de cada indivíduo e, não obrigatoriamente, ser realizado de forma padronizada.

Muitos fatores podem influenciar no desejo do paciente de opinar e se envolver nos processos de decisão do tratamento, como os sociais, culturais, o tipo de doença, estado físico, crenças e preferências individuais. Alguns pacientes, voluntariamente, transferem seu direito de opinar a seus familiares ou ao médico, sendo indispensável respeitar suas limitações. Em outros casos, os pacientes querem desenvolver um papel ativo na escolha do tratamento e os profissionais de saúde devem apoia-los em suas decisões. Existem pesquisas que demonstram que em casos de participação ativa, os pacientes são mais aderentes ao tratamento e mais satisfeitos com os cuidados; também os profissionais de saúde se sentem mais gratificados com aumento do senso de integração e melhora no relacionamento com os pacientes.

No contexto atual muito se discute sobre a necessidade de humanização dos cuidados, e seguramente, um passo nessa direção é a adoção das medidas sugeridas pela medicina centrada no paciente.

Artigo escrito por Miguel Torres Teixeira Leite, Radio-oncologista da Radiocare

“A opinião contida nesse Blog não necessariamente representa a opinião da Radiocare, não a vincula, e é de responsabilidade pessoal e exclusiva de quem a escreveu.”

Imunoterapia: mais uma arma contra o câncer

Radiocare Centro avançado de Radioterapia

Na difícil luta contra o câncer e em busca da cura, mais uma arma desponta no arsenal terapêutico, a imunoterapia. Novas drogas têm surgido e resultados animadores têm sido demonstrados em estudos realizados em diversas partes do mundo, em diferentes tipos de tumores.

A imunoterapia é uma forma de tratamento biológico em que medicações específicas estimulam o sistema imunológico do paciente, com o objetivo de combater e destruir as células tumorais. Essas substâncias modificam a resposta imune do organismo em relação às células cancerígenas.

Existem diversos tipos de imunoterápicos com variados mecanismos de ação, e, dentre os tipos mais importantes, estão os “inibidores de checkpoints”.

Os linfócitos T são células de defesa importantes no combate ao crescimento de células tumorais. Essas células possuem pontos específicos, chamados de receptores. Eles funcionam como se ligassem ou desligassem nossas defesas relacionadas ao linfócitos T.  As células tumorais têm capacidade de produzir substâncias capazes de desligar esses receptores, fazendo com que o sistema imunológico não reconheça o tumor como uma ameaça ao organismo.

Os chamados “inibidores de checkpoints” inibem o possível “freio” aos linfócitos T, por último estimulando nossas defesas contra as células tumorais.  Dessa forma, existem na atualidade drogas específicas que atuam nesses receptores, permitindo que o sistema imunológico reconheça as células tumorais como uma grande ameaça.

Apesar de não ser uma idéia nova, os avanços na imunoterapia contra o câncer ocorreram a partir dos anos de 1980, quando pesquisadores identificaram a existência de receptores celulares capazes de estimular ou inibir o sistema imunológico de defesa. Outro aspecto positivo da imunoterapia é que os medicamentos possuem um perfil de toxicidade favorável, com efeitos colaterais habitualmente manejáveis na maioria dos casos.

Os primeiros resultados dessa nova abordagem terapêutica foram demonstrados em um tipo de tumor de pele após espalhar-se pelo corpo, o melanoma cutâneo metastático – tipo de câncer de pele grave. A seguir vieram estudos em outros tumores, como de pulmão, rim, cabeça e pescoço, entre outros.

Embora os resultados terapêuticos da imunoterapia sejam positivos e promissores, infelizmente, em determinados tipos de câncer, ela é altamente eficaz em alguns pacientes e não apresenta nenhum resultado em outros. Um dos grandes desafios é encontrar biomarcadores para seleção de quais pacientes se beneficiarão com a estratégia.

Artigo escrito por Alexandre Fonseca, Oncologista clínico da ONCOMED-BH e Hospital Felício Rocho

“A opinião contida nesse Blog não necessariamente representa a opinião da Radiocare, não a vincula, e é de responsabilidade pessoal e exclusiva de quem a escreveu.”

Como a radioterapia estereotáxica tem ajudado a combater o câncer

Radiocare Centro avançado de Radioterapia

A radioterapia estereotáxica, também conhecida como Radiocirurgia, SBRT ou SABR (StereotacticBodyRadiotherapy ou StereotacticAblativeradiotherapy) é uma técnica de radioterapia externa que alia a precisão da localização dos aparelhos modernos com altas doses de radioterapia, necessárias para atingir alguns tipos de tumores.

Na SBRT é utilizado um sistema de coordenadas tridimensional para localizar volumes-alvo no interior do corpo e, assim, direcionar feixes de radiação focados precisamente no tumor.

Para a execução dessa técnica, são necessárias: imagens detalhadas de tomografia computadorizada e de ressonância magnética; planejamento computadorizado tridimensional, e posicionamento de tratamento adequado para administrar a dose de radiação com precisão extrema, minimizando a ação sobre tecidos sadios.

Existem dois tipos de radiação estereotáxica:

  1. Radiocirurgia estereotáxica: refere-se a uma única aplicação de radioterapia estereotáxica realizada com vários feixes de radiação, convergindo-se sobre um alvo preciso, geralmente uma lesão localizada no cérebro ou coluna vertebral. Apesar da denominação, não é realizada cirurgia ou incisão com bisturi.
  2. Radioterapia Estereotáxica: refere-se a mais de uma aplicação de radioterapia estereotáxica sobre um alvo preciso. Geralmente, são realizadas de 3 a 8 frações com doses de radioterapia mais elevadas que o usual.

Essas duas modalidades de radioterapia são mais adequadas para tumores relativamente pequenos. Os médicos usam exames de imagens para localizar exatamente a lesão a ser tratada. Um suporte ou aparato imobilizador pode ser personalizado para manter o corpo completamente imóvel durante o tratamento. No caso da radiocirurgia ou radioterapia estereotáxica cerebral, utiliza-se um halo de metal preso sobre a cabeça ou uma máscara termoplástica especial para imobilizar e localizar precisamente o alvo.

Quando o halo de metal é usado, o mesmo é fixado ao crânio por um neurocirurgião. Esse especialista injeta um anestésico local logo abaixo do couro cabeludo, para anestesiar a área, e insere pinos especiais superficialmente aos ossos cranianos. Esses parafusos irão fixar o halo ao crânio. Os pinos fixadores do crânio e o halo são removidos após o término do tratamento. Cada radiocirurgia, dura, em média, de 20 a 50 minutos.

Quando o halo não é utilizado, usa-se uma máscara facial especial, que, ao ser derretida, é colocada ao redor da cabeça e molda exatamente os contornos da mesma, mantendo-a fixa e em posição de tratamento.

Uma das vantagens da radioterapia estereotáxica é a capacidade de entregar a quantidade adequada de radiação sobre o tumor em um curto período de tempo (geralmente um a oito dias, ao contrário de várias semanas). Além disso, o tratamento é entregue com extrema precisão, minimizando os efeitos colaterais sobre tecidos sadios adjacentes ao tumor. Ao final do procedimento, na grande maioria das vezes, não há necessidade do paciente ficar internado e o mesmo retorna para casa com a mesma condição clínica que adentrou ao departamento de radioterapia antes de ser tratado.

Essa técnica é adequada para pequenos tumores bem definidos, que podem ser visualizados através de exames de imagem. Portanto, essa abordagem não é adequada para todas as situações. Além disso, a dosagem de radiação fornecida com segurança pode ser limitada se a lesão está localizada próxima a uma estrutura ou órgão sensível, tal como a medula espinhal, tronco cerebral ou intestino. Geralmente, o tratamento gera edema (inchaço) de tecidos sadios próximos ao tumor, podendo gerar efeitos colaterais variados, que dependem da localização do mesmo. Pacientes com tumores cerebrais, por exemplo, podem apresentar piora parcial dos sintomas neurológicos durante alguns dias após o procedimento, que tendem a melhorar espontaneamente ou com tratamento adequado.

CONDIÇÕES QUE PODEM SER TRATADAS COM RADIAÇÃO ESTEREOTÁXICA

A radiocirurgiaestereotáxica é utilizada para tratar condições que envolvem o cérebro ou coluna vertebral, incluindo:

  • Tumores que se iniciam no cérebro (gliomas e outros tumores primários do sistema nervoso central)
  • Tumores que se disseminaram para o cérebro (metástases cerebrais)
  • Tumores que se disseminaram para a coluna vertebral (metástases ósseas)
  • Tumores benignos decorrentes das membranas que recobrem o cérebro (meningiomas)
  • Tumores benignos do ouvido interno (neurinoma do acústico)
  • Vasos sanguíneos anormais no cérebro (malformações arteriovenosas).

Radioterapia Estereotáxica Corporal é usada para tratar pequenos tumores no tórax, abdômen ou pelve, que não podem ser removidos cirurgicamente ou tratados com radioterapia convencional, incluindo:

  • Câncer de pulmão em estádios iniciais
  • Cânceres que se iniciaram em outro órgão e migraram para o pulmão (metástases pulmonares)
  • Cânceres que se iniciaram em outro órgão e migraram para o fígado (metástases hepáticas)

Esses exemplos abrangem as condições mais comumente tratadas, mas não correspondem a todas as possibilidades de tratamento com essa técnica. Os pacientes com tumores pequenos e pouco numerosos são os melhores candidatos à radioterapia estereotáxica. Nem todos os pacientes podem se beneficiar desse tipo de tratamento. Somente o radio-oncologista pode dizer se essa abordagem é uma opção para sua condição específica.

Artigo escrito por Leonardo Antônio G. Chamon, radio-oncologista da Radiocare

“A opinião contida nesse Blog não necessariamente representa a opinião da Radiocare, não a vincula, e é de responsabilidade pessoal e exclusiva de quem a escreveu.”

Efeitos colaterais da radioterapia

Radiocare Centro avançado de Radioterapia

A radioterapia é um método de tratamento local, que pode ser indicado de forma exclusiva ou associado a outros processos, como cirurgia e/ou quimioterapia. O tratamento radioterápico consiste no direcionamento de radiação ao tumor ou volume a ser tratado, a fim de eliminar as células cancerígenas e, assim, controlar ou curar o câncer.

As técnicas modernas de radioterapia permitem que a radiação seja mais bem direcionada ao tumor, poupando órgãos sadios e minimizando danos às células normais. Mesmo com todo esse cuidado, tecidos saudáveis adjacentes são atingidos pela radiação e podem sofrer alterações, gerando efeitos colaterais.

Ao contrário do senso comum, os efeitos colaterais podem aparecer durante, ou mesmo após o término do tratamento. Como são cumulativos, espera-se o início dos efeitos mais intensos ao redor de duas a três semanas de tratamento. Por consistir num tratamento local, na maioria das vezes, os efeitos colaterais ficarão restritos à região irradiada.

Cada indivíduo reage de forma específica à radioterapia. Alguns apresentam mais efeitos que outros, sendo que a intensidade desses efeitos depende da dose do tratamento; da parte do corpo tratada; da extensão da área irradiada; do tipo de irradiação e da técnica radioterápica utilizada.

Alguns efeitos colaterais são comuns a todos os tratamentos com radioterapia:

  • Irritação da pele irradiada semelhante a uma reação ao sol, com vermelhidão, escurecimento ou bronzeado, coceira e, eventualmente, descamação.
  • Leve inchaço e sensibilidade aumentada na região tratada;
  • Fadiga (cansaço ou fraqueza). Nem todos os pacientes se sentem cansados durante o tratamento e alguns continuam trabalhando normalmente;
  • Redução do apetite;
  • Perda de pelos nos locais tratados.

Geralmente, esses efeitos agudos melhoram gradativamente após o término do tratamento. Além deles, outros podem surgir, dependendo da região a ser tratada.

São eles:

Região da Cabeça e pescoço: irritação das mucosas, gerando ardor e aftas na boca e garganta; diminuição da quantidade de saliva, com sensação de boca seca; aumento do risco de cáries; dor e dificuldade para engolir; alteração do paladar; rouquidão. Esses são efeitos agudos ou imediatos. Eles tendem a melhorar com tempo. Após meses ou anos podem surgir efeitos tardios ou persistirem alguns efeitos agudos, como a secura na boca, aumento no risco de cáries, fibrose ou endurecimento da região do pescoço.

Região Torácica: tosse; dor e dificuldade para engolir;

Região Abdominal: dor abdominal (cólicas); aumento de gases intestinais; náuseas ou vômitos; alterações do hábito intestinal, como diarreia;

Região Pélvica: ardor ao urinar e/ou evacuar; aumento do número de vezes que necessita urinar; cólicas intestinais; diarréia; sangramento nas fezes ou urina; ardor em região da vulva ou ânus; impotência sexual; infertilidade; sintomas da menopausa em mulheres.

Região da Mama: dor em pontada; aumento da temperatura e inchaço da mama; vermelhidão e escurecimento da pele; descamação e ardor da pele e do mamilo. Após meses ou anos pode surgir fibrose com endurecimento e redução da elasticidade da mama e perda da capacidade de lactação da mama irradiada.

Região de membros: vermelhidão e escurecimento da pele tratada principalmente em áreas de dobras, com eventual descamação e ardor; inchaço da região. Em logo prazo (meses ou anos), pode ocorrer fibrose de musculatura e pele, com eventual redução da mobilidade do membro.

É importante ressaltar que nem todos os efeitos colaterais irão se desenvolver durante o tratamento. Cada pessoa reage de forma específica à radioterapia. Existem os que apresentam efeitos colaterais acentuados e outros que atravessam todo o tratamento com mínimos efeitos e excelente tolerância. Grande parte das pessoas continua levando uma vida normal durante o processo e muitas trabalham normalmente.

E é importante lembrar que   o   médico   radio-oncologista   estará   sempre   disponível   para orientá-lo e somente ele poderá recomendar, com segurança, a melhor abordagem para cada caso. Ele acompanha cada paciente por meio de consultas regulares, realizando orientações e prescrevendo medicamentos sintomáticos, caso seja necessário.  Mas, existem alguns cuidados que todo paciente pode tomar em relação a determinados efeitos colaterais.

Cuidados:

Pele

USE:

  • Roupa de algodão na área tratada;
  • Lave a região com água morna;
  • Utilize Sabonete neutro;
  • Use desodorante sem alumínio e sem perfume;
  • Cremes hidratantes (caso seja necessário, o seu médico irá prescrever algum creme para uso local);
  • Proteja a área irradiada contra o sol para evitar piora da irritação cutânea.

NÃO USE:

  • Roupas apertadas;
  • Compressa fria ou quente;
  • Evite se barbear ou usar cremes de depilação na área afetada;
  • Perfumes ou loções na pele irradiada.

 

Fadiga:

  • Descanse nas horas livres;
  • Diminua as atividades ao se sentir fadigado. A fadiga desaparecerá com o tempo e costuma melhorar cerca de 30 dias após o término da radioterapia. Não existe nenhuma medicação que melhore o cansaço.

Perda de apetite e dificuldade para ingerir alimentos:

  • Diminua a quantidade de comida;
  • Aumente o número de refeições (comer pouco de 2 em 2 horas);
  • Mastigue bastante antes de deglutir;
  • Procure ingerir alimentos leves e variar a comida para melhorar o apetite;
  • Evite alimentos quentes ou picantes e bebidas ácidas durante o tratamento.

Náuseas, cólicas abdominais e diarreia: existem medicamentos sintomáticos a serem prescritos pelo seu médico, que irão aliviar esses sintomas. Após o término do tratamento, esses efeitos indesejados devem desaparecer dentro de algumas semanas.

Desejos de superação são comuns na difícil luta contra o câncer. Mesmo com o avanço da Medicina diagnóstica e das técnicas de radioterapia, ainda existem complicações graves e até mesmo, potencialmente fatais, decorrentes dos tratamentos. O certo a se fazer é ter uma relação próxima com sua equipe assistente e relatar todos os efeitos colaterais que aparecerem após o início do tratamento. Somente a equipe médica e, em especial, o radio-oncologista, possuem o conhecimento necessário para decidir o melhor a ser feito diante de cada situação.

Artigo escrito por Leonardo Antônio G. Chamon, radio-oncologista da Radiocare

“A opinião contida nesse Blog não necessariamente representa a opinião da Radiocare, não a vincula, e é de responsabilidade pessoal e exclusiva de quem a escreveu.”

Primeiros passos antes de você iniciar a radioterapia

Radiocare Centro avançado de Radioterapia

Antes de iniciar o tratamento você passará por uma consulta com o médico especialista, chamado de radio-oncologista ou radioterapeuta. Neste primeiro momento, é preciso que você apresente ao médico todos os exames que já foram realizados antes, para que ele analise o caso e defina o tipo de radioterapia indicada e a dose de radiação a ser utilizada.

Durante a consulta o médico irá orientá-lo sobre os objetivos e os possíveis efeitos colaterais. Além disso, solicitará uma tomografia computadorizada específica, na posição do tratamento. Pelo fato desse exame não ter como finalidade o diagnóstico e sim auxiliar no processo de aplicação, mesmo que você já tenha realizado alguma tomografia recente, é preciso fazer outra, seguindo as novas orientações.

O planejamento computadorizado é embasado nas imagens tomográficas. Assim, três planos dimensionais (chamada Radioterapia 3D) podem ser criados para ajustar melhor as áreas a serem tratadas, direcionando uma maior dose de radiação ao tumor e minimizando a dose em tecidos sadios. Uma vez atingido o planejamento ideal, o médico radio-oncologista avalia, através de gráficos e estatísticas, as doses que estão chegando em cada parte dos órgãos e dos volumes definidos como alvos.

Formas mais sofisticadas de radioterapia 3D, como a Radioterapia por Intensidade Modulada (IMRT) e também a Radioterapia Guiada por Imagem (IGRT), têm sido utilizadas. Essas tecnologias modernas de tratamento permitem que se direcione, com mais precisão, a radiação sobre o volume alvo, além de reduzir as doses nos órgãos normais, permitindo minimizar o risco de efeitos colaterais e seqüelas do tratamento.

Efeitos adversos da radioterapia

Normalmente, os efeitos das radiações são bem tolerados, principalmente quando é realizada uma radioterapia moderna. Os efeitos colaterais podem ser classificados em agudos e tardios de acordo com o aparecimento ainda durante as aplicações, logo após o término ou, muito tempo depois.

Efeitos agudos ou imediatos – Geralmente aparecem na segunda semana de tratamento e vão se reduzindo aos poucos algumas semanas após o término da terapia. Eles ocorrem, em sua maioria, nos tecidos que estiverem incluídos no campo de irradiação e devem ser tratados sintomaticamente, pois geralmente são bem tolerados e reversíveis. Um exemplo comum é irritação da pele e da mucosa.

Efeitos tardios: são menos frequentes e podem se manifestar por sangramentos, ulcerações, atrofias, fibroses ou persistência de alguns efeitos agudos. Normalmente, os efeitos se relacionam com a dose total absorvida e com o fracionamento utilizado. A cirurgia e a quimioterapia podem contribuir para o agravamento destes efeitos.

É importante que você discuta com seu médico radio-oncologista o benefício do seu tratamento e os riscos inerentes a ele. Também é fundamental que conheça as técnicas modernas de tratamento que estão disponíveis e, eventualmente não cobertas pelos planos de saúde no Brasil. Somente o médico radio-oncologista possui as melhores e mais atualizadas informações sobre qual a melhor técnica para cada caso específico.

Artigo escrito por Leonardo Chamon, Radio-oncologista do Radiocare

“A opinião contida nesse Blog não necessariamente representa a opinião da Radiocare, não a vincula, e é de responsabilidade pessoal e exclusiva de quem a escreveu.”