Radioterapia em Cicatriz Queloide

Radiocare Centro avançado de Radioterapia

O que é o queloide ?

Queloide é uma desordem da cicatrização, na qual a proliferação de fibroblastos e a síntese de colágeno estão aumentadas e formam lesões fibroelásticas, salientes, rosadas, avermelhadas ou escuras e às vezes brilhantes, podendo causar dor, prurido (coceira) e desconforto estético.

A cicatriz queloide pode ocorrer em qualquer lesão da pele, como em queimaduras, furos de piercing, brincos, cortes, cicatriz de cirurgias, marcas de catapora e outros. Apesar de acometerem qualquer pessoa são mais comuns nas de pele negras e asiáticas e parece existir um componente genético e hereditário na propensão ao desenvolvimento do queloide.

Existe Tratamento para queloide ?

Existem diversos tratamentos para o queloide como a remoção cirúrgica, radioterapia, crioterapia, gel de silicone, injeção intralesional de agentes diversos ou injeção de corticoides e laserterapia.

A radioterapia é um tratamento com excelente resposta e chega a evitar o aparecimento de novo queloide ou minimizá-lo em aproximadamente 90% dos casos.

Como é feito a radioterapia ?

Primeiramente deve ser realizada a cirurgia. A maioria dos trabalhos recomenda o início da Radioterapia nos primeiros dias após a cirurgia. A eficácia parece diminuir quando o início do tratamento ocorre mais de 2 dias após a exérese cirúrgica.

Existem várias formas de realizar a radioterapia. Usualmente emprega-se terapias superficiais ou seja a dose da radiação tem pouca penetração no tecido, não atingindo órgãos profundos. As formas mais comuns são a Betaterapia, a ortovoltagem, radioterapia com elétrons e braquiterapia.

Para realizar a braquiterapia um medico em conjunto com o fisico fará o planejamento do tratamento em um sistema computadorizado e posteriormente é colocado um cateter em cima da cicatriz, que será conectado a um robô que contem o material radioativo (Ir -192), esse material, sob o comando dos computadores se desloca para o dentro do cateter e ficará irradiando a cicatriz por alguns minutos (1 a 30 minutos), variando com a atividade da fonte e o tamanho da cicatriz.

Existe efeitos colaterais ?

Usualmente os efeitos colaterais são menores, entretanto podem ocorrer efeitos imprevistos. O grau de satisfação das pacientes geralmente é bom, mas a expectativa individual tem grande peso no resultado.

Os efeitos mais comuns são :

  • Hipercromia (cicatriz ficar mais escura que a pele normal ).
  • Hipocromia (cicatriz ficar mais clara que a pele normal).
  • Deiscência da sutura ( Os pontos da cicatriz podem abrir ).
  • Infecções na cicatriz

Uma preocupação freqüente em toda irradiação de patologia benigna é a possibilidade remota de indução de tumores malignos (câncer) a longo prazo. É sabido que radiação ionizante é um dos principais entes causadores de câncer conhecidos. O risco absoluto é baixo mas o aumento do risco relativo deve ser discutido com o médico e pesado na decisão de realizar a Radioterapia ou não. A decisão é sempre do paciente.

Para o sucesso do tratamento é sugerido que os pacientes discutam amplamente com o cirurgião plástico sobre as possibilidades terapêuticas, caso uma das opções seja a radioterapia, agende uma consulta com antecedência com o médico radioterapeuta, para discutir a indicação e programar o tratamento o mais breve possível após a cirurgia.

 Artigo escrito por Mauro Murta de Andrade Filho, médico da Radiocare.

“A opinião contida nesse Blog não necessariamente representa a opinião da Radiocare, não a vincula, e é de responsabilidade pessoal e exclusiva de quem a escreveu.”

Como a radioterapia estereotáxica tem ajudado a combater o câncer

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A radioterapia estereotáxica, também conhecida como Radiocirurgia, SBRT ou SABR (StereotacticBodyRadiotherapy ou StereotacticAblativeradiotherapy) é uma técnica de radioterapia externa que alia a precisão da localização dos aparelhos modernos com altas doses de radioterapia, necessárias para atingir alguns tipos de tumores.

Na SBRT é utilizado um sistema de coordenadas tridimensional para localizar volumes-alvo no interior do corpo e, assim, direcionar feixes de radiação focados precisamente no tumor.

Para a execução dessa técnica, são necessárias: imagens detalhadas de tomografia computadorizada e de ressonância magnética; planejamento computadorizado tridimensional, e posicionamento de tratamento adequado para administrar a dose de radiação com precisão extrema, minimizando a ação sobre tecidos sadios.

Existem dois tipos de radiação estereotáxica:

  1. Radiocirurgia estereotáxica: refere-se a uma única aplicação de radioterapia estereotáxica realizada com vários feixes de radiação, convergindo-se sobre um alvo preciso, geralmente uma lesão localizada no cérebro ou coluna vertebral. Apesar da denominação, não é realizada cirurgia ou incisão com bisturi.
  2. Radioterapia Estereotáxica: refere-se a mais de uma aplicação de radioterapia estereotáxica sobre um alvo preciso. Geralmente, são realizadas de 3 a 8 frações com doses de radioterapia mais elevadas que o usual.

Essas duas modalidades de radioterapia são mais adequadas para tumores relativamente pequenos. Os médicos usam exames de imagens para localizar exatamente a lesão a ser tratada. Um suporte ou aparato imobilizador pode ser personalizado para manter o corpo completamente imóvel durante o tratamento. No caso da radiocirurgia ou radioterapia estereotáxica cerebral, utiliza-se um halo de metal preso sobre a cabeça ou uma máscara termoplástica especial para imobilizar e localizar precisamente o alvo.

Quando o halo de metal é usado, o mesmo é fixado ao crânio por um neurocirurgião. Esse especialista injeta um anestésico local logo abaixo do couro cabeludo, para anestesiar a área, e insere pinos especiais superficialmente aos ossos cranianos. Esses parafusos irão fixar o halo ao crânio. Os pinos fixadores do crânio e o halo são removidos após o término do tratamento. Cada radiocirurgia, dura, em média, de 20 a 50 minutos.

Quando o halo não é utilizado, usa-se uma máscara facial especial, que, ao ser derretida, é colocada ao redor da cabeça e molda exatamente os contornos da mesma, mantendo-a fixa e em posição de tratamento.

Uma das vantagens da radioterapia estereotáxica é a capacidade de entregar a quantidade adequada de radiação sobre o tumor em um curto período de tempo (geralmente um a oito dias, ao contrário de várias semanas). Além disso, o tratamento é entregue com extrema precisão, minimizando os efeitos colaterais sobre tecidos sadios adjacentes ao tumor. Ao final do procedimento, na grande maioria das vezes, não há necessidade do paciente ficar internado e o mesmo retorna para casa com a mesma condição clínica que adentrou ao departamento de radioterapia antes de ser tratado.

Essa técnica é adequada para pequenos tumores bem definidos, que podem ser visualizados através de exames de imagem. Portanto, essa abordagem não é adequada para todas as situações. Além disso, a dosagem de radiação fornecida com segurança pode ser limitada se a lesão está localizada próxima a uma estrutura ou órgão sensível, tal como a medula espinhal, tronco cerebral ou intestino. Geralmente, o tratamento gera edema (inchaço) de tecidos sadios próximos ao tumor, podendo gerar efeitos colaterais variados, que dependem da localização do mesmo. Pacientes com tumores cerebrais, por exemplo, podem apresentar piora parcial dos sintomas neurológicos durante alguns dias após o procedimento, que tendem a melhorar espontaneamente ou com tratamento adequado.

CONDIÇÕES QUE PODEM SER TRATADAS COM RADIAÇÃO ESTEREOTÁXICA

A radiocirurgiaestereotáxica é utilizada para tratar condições que envolvem o cérebro ou coluna vertebral, incluindo:

  • Tumores que se iniciam no cérebro (gliomas e outros tumores primários do sistema nervoso central)
  • Tumores que se disseminaram para o cérebro (metástases cerebrais)
  • Tumores que se disseminaram para a coluna vertebral (metástases ósseas)
  • Tumores benignos decorrentes das membranas que recobrem o cérebro (meningiomas)
  • Tumores benignos do ouvido interno (neurinoma do acústico)
  • Vasos sanguíneos anormais no cérebro (malformações arteriovenosas).

Radioterapia Estereotáxica Corporal é usada para tratar pequenos tumores no tórax, abdômen ou pelve, que não podem ser removidos cirurgicamente ou tratados com radioterapia convencional, incluindo:

  • Câncer de pulmão em estádios iniciais
  • Cânceres que se iniciaram em outro órgão e migraram para o pulmão (metástases pulmonares)
  • Cânceres que se iniciaram em outro órgão e migraram para o fígado (metástases hepáticas)

Esses exemplos abrangem as condições mais comumente tratadas, mas não correspondem a todas as possibilidades de tratamento com essa técnica. Os pacientes com tumores pequenos e pouco numerosos são os melhores candidatos à radioterapia estereotáxica. Nem todos os pacientes podem se beneficiar desse tipo de tratamento. Somente o radio-oncologista pode dizer se essa abordagem é uma opção para sua condição específica.

Artigo escrito por Leonardo Antônio G. Chamon, radio-oncologista da Radiocare

“A opinião contida nesse Blog não necessariamente representa a opinião da Radiocare, não a vincula, e é de responsabilidade pessoal e exclusiva de quem a escreveu.”