Efeitos colaterais da radioterapia

Radiocare Centro avançado de Radioterapia

A radioterapia é um método de tratamento local, que pode ser indicado de forma exclusiva ou associado a outros processos, como cirurgia e/ou quimioterapia. O tratamento radioterápico consiste no direcionamento de radiação ao tumor ou volume a ser tratado, a fim de eliminar as células cancerígenas e, assim, controlar ou curar o câncer.

As técnicas modernas de radioterapia permitem que a radiação seja mais bem direcionada ao tumor, poupando órgãos sadios e minimizando danos às células normais. Mesmo com todo esse cuidado, tecidos saudáveis adjacentes são atingidos pela radiação e podem sofrer alterações, gerando efeitos colaterais.

Ao contrário do senso comum, os efeitos colaterais podem aparecer durante, ou mesmo após o término do tratamento. Como são cumulativos, espera-se o início dos efeitos mais intensos ao redor de duas a três semanas de tratamento. Por consistir num tratamento local, na maioria das vezes, os efeitos colaterais ficarão restritos à região irradiada.

Cada indivíduo reage de forma específica à radioterapia. Alguns apresentam mais efeitos que outros, sendo que a intensidade desses efeitos depende da dose do tratamento; da parte do corpo tratada; da extensão da área irradiada; do tipo de irradiação e da técnica radioterápica utilizada.

Alguns efeitos colaterais são comuns a todos os tratamentos com radioterapia:

  • Irritação da pele irradiada semelhante a uma reação ao sol, com vermelhidão, escurecimento ou bronzeado, coceira e, eventualmente, descamação.
  • Leve inchaço e sensibilidade aumentada na região tratada;
  • Fadiga (cansaço ou fraqueza). Nem todos os pacientes se sentem cansados durante o tratamento e alguns continuam trabalhando normalmente;
  • Redução do apetite;
  • Perda de pelos nos locais tratados.

Geralmente, esses efeitos agudos melhoram gradativamente após o término do tratamento. Além deles, outros podem surgir, dependendo da região a ser tratada.

São eles:

Região da Cabeça e pescoço: irritação das mucosas, gerando ardor e aftas na boca e garganta; diminuição da quantidade de saliva, com sensação de boca seca; aumento do risco de cáries; dor e dificuldade para engolir; alteração do paladar; rouquidão. Esses são efeitos agudos ou imediatos. Eles tendem a melhorar com tempo. Após meses ou anos podem surgir efeitos tardios ou persistirem alguns efeitos agudos, como a secura na boca, aumento no risco de cáries, fibrose ou endurecimento da região do pescoço.

Região Torácica: tosse; dor e dificuldade para engolir;

Região Abdominal: dor abdominal (cólicas); aumento de gases intestinais; náuseas ou vômitos; alterações do hábito intestinal, como diarreia;

Região Pélvica: ardor ao urinar e/ou evacuar; aumento do número de vezes que necessita urinar; cólicas intestinais; diarréia; sangramento nas fezes ou urina; ardor em região da vulva ou ânus; impotência sexual; infertilidade; sintomas da menopausa em mulheres.

Região da Mama: dor em pontada; aumento da temperatura e inchaço da mama; vermelhidão e escurecimento da pele; descamação e ardor da pele e do mamilo. Após meses ou anos pode surgir fibrose com endurecimento e redução da elasticidade da mama e perda da capacidade de lactação da mama irradiada.

Região de membros: vermelhidão e escurecimento da pele tratada principalmente em áreas de dobras, com eventual descamação e ardor; inchaço da região. Em logo prazo (meses ou anos), pode ocorrer fibrose de musculatura e pele, com eventual redução da mobilidade do membro.

É importante ressaltar que nem todos os efeitos colaterais irão se desenvolver durante o tratamento. Cada pessoa reage de forma específica à radioterapia. Existem os que apresentam efeitos colaterais acentuados e outros que atravessam todo o tratamento com mínimos efeitos e excelente tolerância. Grande parte das pessoas continua levando uma vida normal durante o processo e muitas trabalham normalmente.

E é importante lembrar que   o   médico   radio-oncologista   estará   sempre   disponível   para orientá-lo e somente ele poderá recomendar, com segurança, a melhor abordagem para cada caso. Ele acompanha cada paciente por meio de consultas regulares, realizando orientações e prescrevendo medicamentos sintomáticos, caso seja necessário.  Mas, existem alguns cuidados que todo paciente pode tomar em relação a determinados efeitos colaterais.

Cuidados:

Pele

USE:

  • Roupa de algodão na área tratada;
  • Lave a região com água morna;
  • Utilize Sabonete neutro;
  • Use desodorante sem alumínio e sem perfume;
  • Cremes hidratantes (caso seja necessário, o seu médico irá prescrever algum creme para uso local);
  • Proteja a área irradiada contra o sol para evitar piora da irritação cutânea.

NÃO USE:

  • Roupas apertadas;
  • Compressa fria ou quente;
  • Evite se barbear ou usar cremes de depilação na área afetada;
  • Perfumes ou loções na pele irradiada.

 

Fadiga:

  • Descanse nas horas livres;
  • Diminua as atividades ao se sentir fadigado. A fadiga desaparecerá com o tempo e costuma melhorar cerca de 30 dias após o término da radioterapia. Não existe nenhuma medicação que melhore o cansaço.

Perda de apetite e dificuldade para ingerir alimentos:

  • Diminua a quantidade de comida;
  • Aumente o número de refeições (comer pouco de 2 em 2 horas);
  • Mastigue bastante antes de deglutir;
  • Procure ingerir alimentos leves e variar a comida para melhorar o apetite;
  • Evite alimentos quentes ou picantes e bebidas ácidas durante o tratamento.

Náuseas, cólicas abdominais e diarreia: existem medicamentos sintomáticos a serem prescritos pelo seu médico, que irão aliviar esses sintomas. Após o término do tratamento, esses efeitos indesejados devem desaparecer dentro de algumas semanas.

Desejos de superação são comuns na difícil luta contra o câncer. Mesmo com o avanço da Medicina diagnóstica e das técnicas de radioterapia, ainda existem complicações graves e até mesmo, potencialmente fatais, decorrentes dos tratamentos. O certo a se fazer é ter uma relação próxima com sua equipe assistente e relatar todos os efeitos colaterais que aparecerem após o início do tratamento. Somente a equipe médica e, em especial, o radio-oncologista, possuem o conhecimento necessário para decidir o melhor a ser feito diante de cada situação.

Artigo escrito por Leonardo Antônio G. Chamon, radio-oncologista da Radiocare

“A opinião contida nesse Blog não necessariamente representa a opinião da Radiocare, não a vincula, e é de responsabilidade pessoal e exclusiva de quem a escreveu.”

Primeiros passos antes de você iniciar a radioterapia

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Antes de iniciar o tratamento você passará por uma consulta com o médico especialista, chamado de radio-oncologista ou radioterapeuta. Neste primeiro momento, é preciso que você apresente ao médico todos os exames que já foram realizados antes, para que ele analise o caso e defina o tipo de radioterapia indicada e a dose de radiação a ser utilizada.

Durante a consulta o médico irá orientá-lo sobre os objetivos e os possíveis efeitos colaterais. Além disso, solicitará uma tomografia computadorizada específica, na posição do tratamento. Pelo fato desse exame não ter como finalidade o diagnóstico e sim auxiliar no processo de aplicação, mesmo que você já tenha realizado alguma tomografia recente, é preciso fazer outra, seguindo as novas orientações.

O planejamento computadorizado é embasado nas imagens tomográficas. Assim, três planos dimensionais (chamada Radioterapia 3D) podem ser criados para ajustar melhor as áreas a serem tratadas, direcionando uma maior dose de radiação ao tumor e minimizando a dose em tecidos sadios. Uma vez atingido o planejamento ideal, o médico radio-oncologista avalia, através de gráficos e estatísticas, as doses que estão chegando em cada parte dos órgãos e dos volumes definidos como alvos.

Formas mais sofisticadas de radioterapia 3D, como a Radioterapia por Intensidade Modulada (IMRT) e também a Radioterapia Guiada por Imagem (IGRT), têm sido utilizadas. Essas tecnologias modernas de tratamento permitem que se direcione, com mais precisão, a radiação sobre o volume alvo, além de reduzir as doses nos órgãos normais, permitindo minimizar o risco de efeitos colaterais e seqüelas do tratamento.

Efeitos adversos da radioterapia

Normalmente, os efeitos das radiações são bem tolerados, principalmente quando é realizada uma radioterapia moderna. Os efeitos colaterais podem ser classificados em agudos e tardios de acordo com o aparecimento ainda durante as aplicações, logo após o término ou, muito tempo depois.

Efeitos agudos ou imediatos – Geralmente aparecem na segunda semana de tratamento e vão se reduzindo aos poucos algumas semanas após o término da terapia. Eles ocorrem, em sua maioria, nos tecidos que estiverem incluídos no campo de irradiação e devem ser tratados sintomaticamente, pois geralmente são bem tolerados e reversíveis. Um exemplo comum é irritação da pele e da mucosa.

Efeitos tardios: são menos frequentes e podem se manifestar por sangramentos, ulcerações, atrofias, fibroses ou persistência de alguns efeitos agudos. Normalmente, os efeitos se relacionam com a dose total absorvida e com o fracionamento utilizado. A cirurgia e a quimioterapia podem contribuir para o agravamento destes efeitos.

É importante que você discuta com seu médico radio-oncologista o benefício do seu tratamento e os riscos inerentes a ele. Também é fundamental que conheça as técnicas modernas de tratamento que estão disponíveis e, eventualmente não cobertas pelos planos de saúde no Brasil. Somente o médico radio-oncologista possui as melhores e mais atualizadas informações sobre qual a melhor técnica para cada caso específico.

Artigo escrito por Leonardo Chamon, Radio-oncologista do Radiocare

“A opinião contida nesse Blog não necessariamente representa a opinião da Radiocare, não a vincula, e é de responsabilidade pessoal e exclusiva de quem a escreveu.”

Como funciona a Radioterapia

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A radioterapia consiste na utilização de radiação ionizante (principalmente raios-X) para tratar o câncer e outras doenças. A radiação é capaz de impedir a multiplicação ou matar células tumorais e, dessa forma, pode ser usado para curar o câncer, impossibilitar que cresça ou, ainda, para aliviar sintomas como a dor.

O tratamento para eliminar as células tumorais consiste na radiação focada, porém os tecidos saudáveis adjacentes também são atingidos pela radiação e podem sofrer danos. No entanto, as células saudáveis são mais capazes de reparar a lesão gerada pela radiação, em comparação às células cancerígenas. Além disso, técnicas modernas de radioterapia muitas vezes permitem que a radiação seja mais bem direcionada ao tumor, poupando órgãos sadios, minimizando o dano às células normais adjacentes e reduzindo os efeitos colaterais. Assim, a radioterapia moderna é um tratamento que, em grande parte das vezes, gera resultados positivos, com efeitos colaterais toleráveis.

A radiação de feixe externo é gerada a partir de uma máquina, chamada Acelerador Linear. A radioterapia externa é administrada diariamente, durante várias semanas. Isso permite matar as células cancerígenas, enquanto dá tempo para que as células saudáveis se recuperarem. Com o fracionamento da dose de radioterapia, a tolerância dos tecidos normais é respeitada, minimizando os efeitos colaterais. Cada sessão dura de 5 a 10 minutos. A radiação não é visível e, durante a aplicação, o paciente não sente nada.

Em alguns casos, a radioterapia será combinada à cirurgia, podendo ser utilizada antes (pré-operatória) ou após (pós-operatória) a mesma. O objetivo da radioterapia pré-operatória é o de promover uma regressão tumoral, possibilitando uma cirurgia mais eficaz ou minimizar o risco do retorno do tumor após sua retirada. Pode ser indicada também antes, durante ou após a quimioterapia, que é o uso de medicamentos específicos contra o câncer. Isso vai depender do tipo de tumor e da escolha do tratamento ideal para superar a doença.

 

Artigo escrito por Leonardo Chamon, Radio-oncologista do Radiocare

“A opinião contida nesse Blog não necessariamente representa a opinião da Radiocare, não a vincula, e é de responsabilidade pessoal e exclusiva de quem a escreveu.”

Cuidados com a pele durante a radioterapia na mama

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O câncer de mama é o mais frequente nas mulheres e, ainda assim, levanta muitas dúvidas. Quando diz respeito ao tratamento da radioterapia, a pergunta mais repetida nos consultórios é sobre o uso de cremes para minimizar ou reverter os efeitos colaterais da radiação.

A radioterapia, ao entrar em contato com a pele, provoca alguns efeitos indesejados. A região irradiada se torna mais avermelhada por dilatação das veias e, progressivamente, se desidrata, apresentado uma coloração mais escura. Esses efeitos se assemelham aos da radiação solar e são reações normais.

Ao final do tratamento, a mama que passou pelo procedimento tende a ficar um pouco mais escura da que não foi irradiada. Estudos realizados pelo radio-oncologista Marcus Castilho, revelam que, após três a seis meses, essa coloração volta a ficar semelhante, na maioria dos casos. As áreas mais sensíveis à radiação são o bico do seio; a região inferior da mama em contato com o tórax e a da axila.

Para que a pele reaja melhor ao tratamento, recomendo uma série de cuidados. Iniciando pelo trabalho do médico profissional responsável pelo caso, é preciso que haja um planejamento por parte dele na escolha da técnica mais indicada para o paciente, dentre as várias opções. Cada caso merece ser estudado com atenção.

No entanto, a participação das pacientes também é muito importante e, certamente,  contribuirá para a melhor tolerância da pele.

Recomendações:

  • Use roupa de algodão na área tratada.
  • Lave a região com água morna.
  • Use sabonete neutro.
  • Use desodorante sem alumínio e sem  perfume.
  • Use creme hidratante.
  • Não use compressa fria ou quente.
  • Evite expor a área irradiada ao sol.
  • Evite piscina com cloro.

 

Em alguns casos, mesmo que o paciente tome os devidos cuidados, a pele poderá apresentar reações um pouco mais intensas. Por isso, dependendo do caso, é necessário suspender por alguns dias o tratamento para uma recuperação mais rápida. Lembrando que, caso haja a indicação de uma suspensão curta e temporária, isso não irá interferir na eficiência do tratamento.

Quanto aos cremes, diferentes produtos podem ser utilizados para a hidratação da pele, quando necessário. Estudos não demonstraram superioridade significativa entre produtos de diferentes marcas,  logo não descarta a eficiência de cremes comuns, facilmente encontrados em farmácias de todo o país.

O médico radio-oncologista poderá sugerir o uso, após examinar o paciente e constatar a necessidade. A sugestão do melhor creme e da freqüência que ele deve ser utilizado depende do grau de irritação da pele e da presença ou não de feridas. Como norma geral, deve-se evitar pomadas que contenham antibióticos, além de evitar sol direto sem filtro solar. Essa última é uma das medidas mais  fáceis de adotar e que contribui significativamente para evitar a adição de toxicidade sobre a pele. Normalmente, esses cuidados devem ser mantidos até a reversão quase completa do escurecimento da pele. Lembrando que o médico radio-oncologista estará sempre disponível para orientar as pacientes e, somente ele poderá recomendar, com segurança, a melhor abordagem para cada caso.

 

Artigo escrito por  Miguel Torres Teixeira Leite, Radio-oncologista do Radiocare

“A opinião contida nesse Blog não necessariamente representa a opinião da Radiocare, não a vincula, e é de responsabilidade pessoal e exclusiva de quem a escreveu.”