Cuidados com a pele durante a radioterapia

Radiocare Centro avançado de Radioterapia

A radiodermite é definida como uma lesão de pele e dos seus anexos provocada pelos raios X ou por outras radiações ionizantes. É popularmente conhecida como a “queimadura de pele” causada pela radioterapia.  Diferente do senso comum, a radiodermite não pode ser prevenida pelo uso de cremes, mas suas consequências podem ser atenuadas por medicamentos tópicos e outros cuidados.

O dano à pele é a consequência final de uma cascata de eventos que se inicia com a interação da radiação com a água dentro das células do organismo e a produção de radicais livres. Esses radicais livres interagem com o DNA das células, interrompendo sua renovação e produzindo inflamação local. A intensidade da radiodermite pode ser pouco perceptível ou chegar até ao limite de uma queimadura complexa. Atualmente, são classificadas em graus, de acordo com a severidade da lesão. São eles:

  • Grau I: avermelhamento leve ou descamação seca da pele, que podem ser associados a prurido (coceira) e quedas de pelos ou cabelos.
  • Grau II: avermelhamento moderado e edema intenso, que podem ocasionar uma descamação úmida limitada às dobras da pele. Essa descamação pode estar associada à dor local.
  • Grau III: descamação úmida extensa em outras localizações e inchaço no local, inclusive com formação de bolhas.
  • Grau IV: necrose cutânea ou ulceração de toda espessura da derme, podendo estar associadas a sangramento, dor e infecções secundárias.

Não se conhecem todos os fatores de sensibilidade ou resistência natural que diferenciam pessoas que recebem certa dose de radiação, mas é sabido que cada um pode reagir de maneira diversa. Com o avanço tecnológico da radioterapia, essas reações diminuíram bastante. A energia utilizada nos aparelhos atuais minimiza a dose na pele. Entretanto, outros fatores, tais como a anatomia da paciente e dados clínicos da doença podem influenciar no planejamento, na forma de realizar a radioterapia e, consequentemente, na intensidade dos sintomas apresentados.

Existe um grande número de compostos que visa a proteção à radiodermite, como aloevera, andiroba, camomila, calêndula, trolamina, entre outros. Até hoje, somente os estudos com cremes à base de corticoides, medicamentos administrados na forma de cremes e pomadas, demonstraram eficácia na prevenção da mesma. Infelizmente, os corticosteroides não são isentos de efeitos indesejáveis e, por isso, devem ser utilizados somente quando necessário e indicado por um médico.

Algumas recomendações gerais podem ser válidas nesse cenário:

  • Hidratação oral,
  • Limpeza da região irradiada com água em temperatura ambiente e sabonete neutro,
  • Não aparar pelos com lâminas,
  • Evitar roupas sintéticas,
  • Priorizar roupas de algodão,
  • Reduzir contato com vapores e não aplicar pomada, loção, creme ou perfume sem recomendação médica.

Por fim, converse com seu médico. A avaliação dele é essencial para um diagnóstico correto, classificação e posterior tratamento.

 Artigo escrito por Ana Paula de Freitas P. Fonseca, Radio-oncologista da Radiocare

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