Braquiterapia Ginecológica aliada na busca pela cura dos tumores ginecológicos

Radiocare Centro avançado de Radioterapia

A braquiterapia consiste na aplicação de fontes radioativas bem próximas ao local do corpo que receberá a radiação. Dessa maneira, consegue-se despejar uma alta dose de radiação no volume a ser tratado, minimizando-a em tecidos sadios adjacentes. No caso de tumores ginecológicos, como os de colo uterino ou endométrio (camada interna do útero), é introduzida uma sonda (ou um cilindro) através da vagina e um aparelho direciona uma fonte radioativa, através da sonda, para irradiação do colo uterino e vagina. Essa fonte ficará dentro da sonda (ou cilindro) entre 15 a 30 minutos e em seguida será retirada.

Geralmente, é um procedimento que não requer anestesia e é realizado em quatro aplicações, normalmente, duas vezes na semana. Durante a sessão, a paciente não apresentará sintoma algum e, logo após o término do procedimento, a mesma poderá ir para casa. Algumas horas ou dias após a braquiterapia, poderão ocorrer algumas reações agudas.

Entre essas reações, estão:

  • Ardor ao urinar,
  • Aumento na frequência da micção (necessidade de urinar várias vezes em pouca quantidade),
  • Aumento na frequência das evacuações e eliminação de muco nas fezes.

Importante: durante o tratamento, não há contraindicação em manter relações sexuais; porém, devido aos efeitos colaterais agudos, pode haver desconforto ou ardor vaginal.

Alguns meses ou anos após o término da braquiterapia, as paredes vaginais podem sofrer fibrose ou endurecimento, com perda da elasticidade e, assim, a vagina pode se tornar estreita. O médico ou a enfermeira especializada possuem orientações específicas sobre exercícios de dilatação vaginal. Esses exercícios são realizados com a ajuda de um dilatador, que é introduzido na cavidade vaginal e tem como objetivo evitar a estenose ou estreitamento da vagina.

Assim, a paciente terá alguns benefícios como: mais facilidade em ser submetida a exames ginecológicos, com coleta de células do colo uterino ou fundo vaginal (exame de Papanicolau); maior conforto durante relações sexuais e menor probabilidade de apresentar dor vaginal durante a penetração. Relações sexuais também ajudam a evitar o estreitamento vaginal e, ato contínuo, esses benefícios resultam em melhores seguimento oncológico e qualidade de vida.

Outros efeitos que podem ocorrer após o tratamento é a infertilidade e menopausa. Se houver necessidade de radioterapia externa na pelve, os ovários receberão uma dose de radiação capaz de provocar infertilidade e menopausa precoce. As doses de braquiterapia isolada podem não ser suficientes para causar falência ovariana; porém, quando somadas à radioterapia externa, contribuem para a infertilidade.

É extremamente importante que a paciente, e/ou o casal, se informe antes do tratamento sobre os efeitos colaterais comuns e esperados e também dos incomuns que, apesar de improváveis, podem ocorrer. Algumas medidas simples podem evitar grande sofrimento. O maior inimigo nessa hora é o constrangimento e a vergonha. Como usual, o médico é a fonte mais importante de informação e o maior aliado das pacientes.

*Texto pode ser reproduzido com citação das fontes.

 Artigo escrito por Leonardo Chamon, Radio-oncologista da Radiocare

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